sábado, 5 de junho de 2010

Qual o lugar da Arte na nossa vida?



Maioritariamente admitimos gostar de assistir uma peça de Teatro, por exemplo, recordando até as emoções que sentimos na proximidade com a história, os actores, a vivência mais extrema de cada palavra, gesto, silêncio… Mas como valorizamos esta forma de Arte?

Normalmente não nos lembramos desta hipótese, não é “moda” ir ao Teatro, preferimos o comodismo do nosso sofá ou uma sala de cinema. Não retirando o valor de um bom filme, não será importante diversificarmos as nossas opções, valorizando assim os esforços, por vezes tão intensos, de todos os intervenientes de uma peça?

Ou, quiçá um Concerto, fruto de longas horas de preparação física e emocional dos músicos, onde a música é puramente vivida com o nosso coração, onde cada batida faz o sangue mover, onde a mente se entrega em sintonia perfeita…

A lista poderia não ter fim… Uma exposição de Pintura, Escultura… E tantas formas de arte que lutam para não morrer e outras que tentam agora nascer!

Deparamo-nos, por vezes, com divulgações mais escassas, locais mais degradados pelos apoios quase inexistentes… Mas em vez de nos afastar, devemos nos motivar ainda mais, persistir… Como forma de apoio e solidariedade na luta de todos os intervenientes. Sejamos activos que o universo será activo de volta… Não tenhamos medo de sair, conviver, (re)aproximarmo-nos das pessoas porque é desta troca de energia de proximidade que vem a “salvação”… Libertemo-nos da escravidão em que vivemos, ligados ao mundo por quatro paredes fechadas e sinais inviseis de conexão… Tudo na medida certa, equilibrado!


Deixemos abrir as janelas do nosso horizonte porque o pequeno às vezes é mais doloroso do que o longínquo e tentemos “buscar na linha fria do horizonte” o bem-estar e a força necessária para lidar com o dia-a-dia. Porque valorizar a Arte feita por outros é valorizarmo-nos a nós, valorizar uma cultura, um país… Valorizar a própria vida!

Para começar já, deixamos a seguir algumas sugestões. Desfrute!




Casa da Música: Clique aqui
Fundação de Serralves: Clique aqui
Teatro Campo Alegre: Clique aqui
TNSJ: Clique aqui
Teatro do Bolhão: Clique aqui
Casa das Artes: Clique aqui

Partilhe as suas sugestões. Contamos consigo!

domingo, 23 de maio de 2010

Dr. Geraldo Oliveira – Médico Psiquiatra


Dr. Geraldo Oliveira, Psiquiatra com vasta experiência profissional em diversas casas de saúde mental e clínicas psiquiatricas é o convidado para os Saberes em Conversa desta semana. Vamos usufruir da sua experiência?

1- Recentemente estudos indicaram que Portugal é um dos países da Europa com maior número de pessoas em tratamento de saúde mental. Por que índices tão altos?

Eu penso que para além das patologias clássicas da psiquiatria (esquizofrenias, doenças maníaco-depressivas,hoje bipolares, demências, alcoolismo e neuroses), outros desequilíbrios emocionais surgem com a evolução do mundo contemporáneo e da sua solicitação: é tudo muito rápido e mediatizado. É tudo pra ontem! Daí que quem não tem boa estrutura psicológica vai abaixo. É o fenomeno da adicção de drogas, distúrbios alimentares (bulimia, anorexia), depressões (distúrbios emocionais) e, obviamente, com o aumento da esperança de vida, as demências devido a degeneração do Sistema Nervoso Central. Isto é um fenómeno de todos os paises ocidentais desenvolvidos ou em desenvolvimento e não só um fenómeno de Portugal, ok?

2- O Sistema Nacional de Saúde permite que os médicos de família prescrevam antidepressivos e calmantes quase que indiscriminadamente. O Dr. Geraldo acha que isto é suficiente para a melhoria dos estados depressivos, ansiosos ou outros estados psicopatológicos e a conquista do equilíbrio e bem-estar?

É mais fácil dar calmantes e anti-depressivos (que às vezes também são importantes) e mais rápido do que conversar com as pessoas e aliviar-lhes a sua angústia existencial. Isto nem precisa ser um trabalho diferenciado do psiquiatra, ou psicólogo clínico. É ter tempo para as pessoas. Mas os médicos de família não tem tempo pra isto. Daí o uso mais indiscriminado destes medicamentos. Mas, olhem, os Serviços de Psiquiatria já vão no mesmo caminho, pelo excesso de doentes. Já não há tempo pra conversas. É incrível, né? É o Sistema que está mau. Acho que o problema é psicoeducacional (educação familiar, social e escolar) e as pessoas deveriam ser mais espitualizadas e ter uma melhor estrutura emocial para enfrentar melhor as situações adversas, e assim poupavam os médicos de famílias, e também cresciam como pessoas. Não sei como fazer isto, as pessoas deveriam se reunir para discutir como fazer isto : psicólogos, terapeutas, pedagogos, pais, enfim pessoas importantes na sociedade.

3- A psiquiatria é ainda vista como a medicina para os loucos. Vamos desmistificar esta questão: em que sentido a psiquiatria pode colaborar para um melhor desenvolvimento pessoal e uma vida emocional mais saudável?

Aqui temos um problema grave. Do meu ponto de vista ético e económico de quem trabalha para o Serviço Nacional de Saúde que exigem cada vez números maiores de consultas em detrimento da qualidade (ou seja é a lei do “despachar”) e quem trabalha no seu consultório privado que tem mais tempo para o seu doente (claro o doente está pagar e, às vezes muito bem) e o profissional vai usar estratégias psicoterapéuticas variadas, visando sempre um melhor bem estar do paciente. Numa perspectiva mais romântica, se se deixasse de lado o problema económico, os psiquiatras, ou terapeutas ligados a saúde mental, poderiam dar mais qualidade de vida aos seus paciente, penso eu.

4- De sua experiência pessoal e profissional o que falta ao homem para ser feliz?

O bem supremo, o soberano bem é a felicidade, é a serenidade, é saber dominar as nossas paixões para verdadeiramente sermos livres. É desenvolver a virtude intelectual (teórica e prática para ser-se sábio) e a virtude de carácter, a bondade, a generosidade, a tolerância, o altruísmo, a solidariedade. É fácil, não é? Isto é base filosófica de toda religião.

Dá um abraço?

Quer um abraço?


Recebemos um e-mail indicando que dia 22 de Maio é o Dia do Abraço. Sendo verdadeiro ou não, resolvemos falar um pouco sobre este poderoso instrumento universal de conexão entre as pessoas, capaz de dar significado a alguns sentimentos aos quais a palavra, muita das vezes, não consegue significar.


Um abraço pode denotar muitas coisas, no entanto, está intrínseco a este acto a manifestação de carinho, de afecto e de sentimentos, a partilha de emoções, a demonstração de apoio e protecção.
O abraço não é exclusivo dos seres humanos. Os animais abraçam-se devido a um comportamento instintivo de protecção e carinho. Os seres humanos possuem a base instintiva do comportamento de abraçar, entretanto, conseguem atribuir significados múltiplos ao abraço devido às suas capacidades de raciocínio e de memória das emoções.


O abraço significa ligação e uma das primeiras ligações dos indivíduos é com a mãe. Estudos indicam que a oxitocina (hormona da “ligação e do amor” e que possui um papel importante nas emoções sociais, sendo também um bloqueador das hormonas que produzem stress) existe para a criação de laços maternais de confiança, laços de amizade e até para a atracção física.


Investigações na Universidade da Carolina do Norte têm demonstrado que abraçar aumenta os níveis de oxitocina (1):
-Mulheres e homens mostraram níveis mais altos de oxitocina após abraçar;
-Pessoas em relações amorosas apresentaram níveis maiores desta hormona;
-O abraço de um ente querido reduziu, num grupo de mulheres, os níveis de cortisol bem como produziu efeitos cardioprotetores diminuindo a pressão sanguínea e a frequência cardíaca. (Nota: o cortisol é uma hormona que aumenta a pressão sanguínea, o açúcar no sangue e prejudica o sistema imunitário);
-Bebés que não possuem contacto físico frequente com seus pais apresentam problemas comportamentais mais tarde com a família e grupo social.


Concluiu-se, então, que o abraço é bom para a saúde pois ajuda a restabelecer o equilíbrio psicofisiológico diante dos mais variados agentes stressores actuais, causa um aumento substancial do comportamento confiante já que, o contacto físico, cria uma ligação saudável entre as pessoas e promove o bem-estar.


Um abraço é tão bom!!! É através deste gesto que emoções, sentimentos e ideais são materializados. Abraçar faz com que tenhamos uma atitude mais positiva diante da vida e dá-nos a sensação de aconchego, de amparo e de protecção tornando-se um poderoso antídoto contra a depressão.
Não podemos nos esquecer de que um sorriso também nasce de um abraço!!!
Vejam este filme e abracem a quem lhes apetecer e anote os efeitos e resultados em sua vida. Depois venham partilhar connosco!

Estão preparados para este exercício tão agradável?


Nós estamos!!! Enviamos então o nosso abraço!!!!

(1) Fonte: http://www.institutodafelicidade.org

terça-feira, 18 de maio de 2010

Bandolins - Oswaldo Montenegro

Gosto desta música desde a adolescência... ah...... a música que acompanha, a música que solta a nossa voz, que fala por nós... ah a música...........

Sorrisos felizes em Braga

Realizou-se no dia 16 de Maio de 2010 mais um workshop O Ser, o Saber e o Sorrir – Passos para o optimismo, desta vez em Braga, na Junta de Freguesia de S. Victor.

Se o sol brindava-nos com um belo dia, a energia do grupo aquecia as nossas emoções e fomentava a partilha de experiências e conhecimentos. Pois, se estamos sempre dispostos a 1001 actividades, a gastos incontáveis em objectos desnecessários que se amontoam em nossas casas e não nos trazem o bem estar esperado, é tempo de investirmos em nós mesmos! O autoconhecimento, o desenvolvimento da autoestima e do optimismo são os elementos básicos para o encontro da felicidade, como afirmou um dos formandos:


 
Obrigada pela oportunidade que me deram de acrescentar mais alguns “passos” para me conhecer melhor e enteder a minha postura de vida. Acreditem que vou continuar a sorrir cada vez mais. (…)


 
Diz Saint-Exupéry: Um único evento pode despertar em nós um estranho totalmente desconhecido, então, depois do trabalho realizado, todos descobriram algo maravilhoso sobre si que desconheciam e exteriorizaram esse bem-estar através do riso.

A todos aqueles que estiveram conosco neste agradável investimento pessoal, o nossso muito obrigado.

Um sorriso especial aos colaboradores indirectos que contribuíram para a realização deste evento: Dr. Firmino Marques, Sr. Alberto Moreira e o querido amigo Marciano Silva.


Nutrição Activa: Aceita o desafio?

Mafalda Faria (à esquerda) e Tânia Magalhães (mais a baixo, à direita) são duas nutricionistas que trabalham no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários há cerca de 10 anos. As suas principais actividades prendem-se com a consulta individual de nutrição (no ambulatório e no domicílio) e trabalho comunitário dirigido a crianças e à população em geral. Estas nutricionistas integram equipas multidisciplinares e promovem a saúde das populações através da disseminação dos conceitos de alimentação saudável, integrados num todo de estilo de vida saudável. Desenvolvem trabalho ao nível das escolas, em parceria com juntas de freguesia, lares e centros de dia e todas as instituições da comunidade que recorram aos seus serviços.

Recentemente desenvolveram o projecto Nutrição Activa.

 
1- Em que é que consiste o Projecto Nutrição Activa?
O projecto Nutrição Activa, desenvolvido pelas nutricionistas Mafalda Faria e Tânia Magalhães, surge da necessidade de disseminar actividades com enfoque na (RE)Educação Alimentar. Individualmente ou em contexto de grupo, o objectivo da Nutrição Activa é fornecer as estratégias imprescindíveis para uma saudável selecção de alimentos a consumir ao longo do dia, um doseamento correcto das quantidades de alimentos a consumir em refeições estruturadas e saber fazer as substituições entre famílias de alimentos. Tudo isto para que a alimentação do dia-a-dia seja equilibrada, sem ser monótona, e permita aumentar a aporte nutricional a cada indivíduo. A médio prazo espera-se que a pessoa tenha uma nova visão sobre alimentação e que esta se traduza na aquisição de novos hábitos alimentares.

As actividades da Nutrição Activa abrangem as áreas da Nutrição Clínica, Promoção da Alimentação Saudável e Higiene e Segurança Alimentar.

A missão da Nutrição Activa é garantir aos seus clientes a qualidade na prestação de serviços técnicos e especializados na área da nutrição, de forma contínua e progressiva, visando sempre o bem-estar mental e corporal de cada um.
2- De que forma a alimentação pode contribuir para o bem-estar e equilíbrio do corpo?

Uma alimentação saudável contribui para o bem-estar do organismo por fornecer o conjunto de nutrientes necessários ao seu pleno funcionamento. Emílio Peres, considerado o “pai” dos nutricionistas em Portugal, via a alimentação como o factor ambiental que mais interfere na saúde e na duração de vida. “O bem-estar proporcionado por uma alimentação resulta do equilíbrio balanceado entre os alimentos que se consomem, a sua qualidade higiénica e nutricional, bem como do ambiente emocional das próprias refeições”.

3- E em que é que se traduz uma alimentação saudável?

A noção de alimentação saudável, além da componente nutricional, tem subjacentes conceitos de foro cultural, principalmente no que diz respeito à escolha de alimentos. Em Portugal, uma forma simples, prática e fácil de interpretar as noções de uma alimentação saudável é através da Roda dos Alimentos (http://static.publico.clix.pt/docs/pesoemedida/Panfleto_Roda_Alimentos.pdf). A Roda dos Alimentos é um guia que apresenta alimentos saudáveis de consumo corrente em Portugal e transmite as seguintes orientações:

Alimentação completa – aquele em que, diariamente se consome alimentos de cada grupo e se bebe água;

Alimentação equilibrada – significa comer maior quantidade de alimentos pertencentes aos grupos de maior dimensão e menor quantidade dos que se encontram nos grupos de menor dimensão, de forma a ingerir o número de porções recomendado;

Alimentação variada – traduz-se em comer alimentos diferentes dentro de cada grupo variando diariamente, semanalmente e nas diferentes épocas do ano.

Através do consumo desta combinação de alimentos traduzida pela Roda dos Alimentos conseguimos obter um conjunto equilibrado de variados nutrientes que cumprem uma ou mais funções específicas no nosso organismo. Por outro lado, o organismo sofre quando lhe faltam determinados nutrientes ou quando estes são fornecidos em excesso. As diversas carências de vitaminas são exemplos de défice e a obesidade pode exemplificar o excesso de fornecimento de nutrientes ao organismo. Ambas as situações traduzem desequilíbrio.

4- A Alimentação pode ter impacto na saúde mental do indivíduo?

A Alimentação tem impacto em todo o organismo de um indivíduo. Assim, a qualidade nutritiva do que se consome tem reflexo na saúde do cérebro.
Por outro lado, a obesidade está identificada como um factor de risco da depressão, bem como a própria depressão é um factor preditivo do desenvolvimento da obesidade. Havendo aqui uma relação bidireccional, a manutenção de um peso saudável, através de um estilo de vida saudável, revela-se fundamental.
O carácter epidémico da depressão tem levado ao estudo de determinantes alimentares com contributo na origem das doenças mentais. Considerando que tudo o que compõe o cérebro vem da nossa alimentação e que o cérebro humano é composto por cerca de 60% de gordura, o estudo dos ácidos gordos como determinantes da integridade e capacidade de funcionamento do cérebro tem vindo a desenvolver-se ao longo dos anos. Uma alteração clara na alimentação da população mundial tem sido a diminuição do consumo de alimentos ricos em ácidos gordos da série n3 (como por exemplo peixes gordos – sardinha, carapau, cavala, atum, salmão, perca, corvina – e frutos oleaginosos – nozes, amêndoas, avelãs) e aumento de consumo de alimentos ricos em ácidos saturados (gordura da carne de vaca salsichas, alheiras, chouriços, morcelas, fritos resultantes da utilização de óleo de palma, óleo de coco), trans (snacks, bolachas, tostas) e da série n6 (óleos de amendoim, soja, girassol, milho). Estes ácidos gordos têm acções diferentes ano desenvolvimento e funcionamento do cérebro. Há já estudos que demonstram uma associação positiva entre o consumo dos alimentos ricos em ácidos gordos da série n3 e o desenvolvimento cerebral pré-natal e durante a infância, bem como o desenvolvimento de diferentes estados de humor.
Foi recentemente publicado um estudo australiano que avaliou a associação entre a qualidade da alimentação e a incidência de depressão na adolescência – período em que é comum observar o desencadear de doença psiquiátrica e depressão. Os resultados deste estudo demonstram que essa associação existe e é independente das influências socioeconómicas, familiares e outros possíveis factores confundidores. Os resultados de um estudo semelhante, realizado em adultos americanos de baixos recursos económicos, foram publicados estes mês, indicando uma associação significativa entre a qualidade da alimentação, de acordo com uma escala de alimentação saudável, e a sintomatologia depressiva. Neste estudo, os indivíduos com uma escala de alimentação mais saudável reportaram menos sintomas de depressão.

 
5- Estão já identificados alimentos específicos para serem consumidos por pessoas depressivas ou em estados de ansiedade?

 
O contrário sim, isto é, há estudos que demonstram que diferentes estados de ansiedade influenciam aquilo que se escolhe para comer. Por exemplo, estados de depressão foram recentemente associados a maior consumo de chocolate. Ainda não se sabe bem o mecanismo pelo qual actua, mas pensa-se que alguns componentes do chocolate estarão associados à sensação de recompensa e aumento da motivação.

Por outro lado, não há evidência científica clara que associe o consumo de açúcar e a diminuição do défice de atenção, demência ou depressão.

Já salientamos que o consumo alimentos ricos em ácidos gordos da série n3 (como por exemplo peixes gordos – sardinha, carapau, cavala, atum, salmão, perca, corvina – e frutos oleaginosos – nozes, amêndoas, avelãs) no desenvolvimento de diferentes estados de humor.

Vários outros estudos tentam identificar alimentos que diminuam o risco dos estados depressivos ou ansiosos.
Um estudo Finlandês avaliou o risco de depressão severa, em homens de meia-idade, e a sua associação com o consumo de café, chá e cafeína. Neste trabalho, identificou-se o café como um potencial factor de diminuição do risco de ocorrência de depressão. Os resultados para o consumo de chá e da cafeína, isoladamente, não foram conclusivos.

O nível de folatos (nutriente presente em vegetais de cor verde escura, como brócolos, espinafres, couve galega, penca, entre outros) está identificado como um factor nutricional com potencial para diminuir a ocorrência de depressão na fase final da vida do indivíduo.
Também em algumas especiarias, como o açafrão da Índia e o caril, e fontes alimentares de vitamina D (presente no fígado de peixe, peixes gordos, cogumelos e o sol) estão identificadas substâncias que actuam na diminuição de défice cognitivo.
No entanto, são ainda necessários mais estudos longitudinais que avaliem o potencial dos determinantes alimentares para prevenir a depressão

 
6- Na sua experiência pessoal e profissional o que falta para o ser humano ser feliz?

Bom, nesta questão tentarei inicialmente separar a minha experiência pessoal da minha experiência profissional e, no final da minha resposta, procurarei cozinhar estes dois ingredientes juntos.
Pessoalmente, considero que todo o ser humano tem em si todo o potencial para viver momentos de felicidade. A questão é descobri-lo e manter-se em contacto com a nossa fonte de felicidade interior. Está em todos nós! Todos podemos (e devemos!) aproveitar diariamente os bons momentos de cada dia que vivemos. E, é verdade! Todos os dias vivemos momentos bons e felizes. No último ano iniciei um exercício no final do dia. Ao deitar-me registo 5 momentos felizes do meu dia. Encontro sempre e às vezes até ultrapasso os 5! Outros dias repito um bom momento para o saborear a dobrar de modo a que ele possa valer por mais! Bom, mas isto é um ponto de vista muito pessoal! Acredito que cada um deve descobrir o seu caminho para saborear momentos felizes em cada dia!!
Do ponto de vista profissional, acredito que o ser humano será mais feliz quando estiver disponível para a mudança. Como nutricionistas recebemos muitas pessoas que desejam ter menos peso do que aquele que têm, desejam uma imagem corporal diferente, mais atractiva, adelgaçada, mais atlética até. No entanto, é quase um paradoxo perceber que as pessoas estão disponíveis a dar muito pouco delas mesmas para conseguir os seus resultados. Querem tudo para “ontem”, de forma rápida e se houver uma “pílula milagrosa” que as faça atingir o peso e imagem corporal desejadas tanto melhor! É urgente que as pessoas percebam que para serem felizes as mudanças devem começar nelas próprias e se querem ter menos peso têm de aprender a comer para conseguirem o peso que desejam atingir e manter, se pretendem uma figura adelgaçada têm que fazer exercício físico. É certo que alguns indivíduos têm uma genética favorecedora, mas até esses podem ter um momento na vida a partir do qual o metabolismo muda e a alimentação deve acompanhar essa mudança. É necessária disponibilidade individual para atingir os objectivos pretendidos. Como nutricionistas estamos cá para ajudar, através de informação, da identificação de pequenos obstáculos que possam surgir, das estratégias para os ultrapassar, mas é fundamental que se compreenda que o caminho tem de ser feito por cada um.
E, desta forma, talvez consiga juntar os ingredientes dos meus pontos de vista pessoal e profissional num cozinhado que contribua para nutrir a felicidade do ser humano: uma boa dose do potencial de cada indivíduo, outra porção do momentos diários de felicidade e quilogramas de vontade para mudar na direcção do caminho que nos leva à concretização dos nossos objectivos. Mistura-se tudo, leva-se a lume brando diariamente, acrescentam-se sorrisos e sairá muita felicidade para cada um de nós! Bem-haja!