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terça-feira, 15 de junho de 2010

Stress Infantil: factores internos


No post Semana da criança: stress infantil falamos sobre o stress infantil, possíveis causas e sintomas. Hoje falaremos sobre as fontes internas de stress.

O stress pode ser criado pela própria criança, de acordo com sua aprendizagem social, seus pensamentos, os tipos de personalidade e suas atitudes.

Nesse sentido, as fontes internas de stress têm início na infância, pois, a família, a escola, a comunidade e demais instituições influenciam de forma significativa a formação e estruturação do temperamento da criança, levando-a a adquirir comportamentos que podem desencadear um stress intenso. Entre esses comportamentos destacamos:

a) – Timidez: A criança tímida tende a isolar-se, fugir ou evitar certas situações cotidianas, como contacto com os colegas, festas e apresentações de trabalhos, tornando-se mais dependente dos familiares e, consequentemente, mais retraída. Ao evitar contacto com seu meio ambiente, isola-se, demonstrando desinteresse e apatia, criando, com frequência, um mundo só seu, cheio de fantasias e sentimentos de inferioridade.

Desta forma, empecilhos à socialização da criança, como pais superprotetores ou vida social restrita, fazem com que a criança torne-se dependente e insegura, afastando-se do convívio dos amigos. Além disso, familiares e professores podem reforçar a timidez infantil através do cultivo de um “complexo de inferioridade”, na medida em que afirmam que a “criança é burra”, que “não sabe fazer as coisas”, “que não é capaz de”. Nesse caso, ela passa a não mais acreditar na sua capacidade, cresce tímida e muito insegura, sendo, então, considerada uma “criança inadaptada”. Esses comportamentos são mais constantes nos anos escolares devido à multiplicidade de contactos sociais e à convivência com outras crianças de hábitos diferentes dos dela. Essas situações podem, portanto, desencadear crises de stress.

b) – Ansiedade: A ansiedade ora pode ser o factor desencadeante do stress, ora pode ser desencadeada por ele, quando a criança já se encontra stressada. Caracteriza-se por uma inquietação acompanhada de uma sensação de perigo iminente, manifestando-se por agitação, irritabilidade excessiva, intranquilidade e por um medo de que algo ruim aconteça ameaçando a própria segurança.

De acordo com a pesquisadora Biaggio, “como quase tudo no ser humano, as crianças desenvolvem ansiedade, em parte porque sua constituição genética pode predispô-las a isso, e em parte porque o ambiente em que foram criadas propiciou a aprendizagem de ansiedade” (1999, p.54).

Pode-se salientar que existem várias situações que desencadeiam ansiedade na infância, relacionando-se uma delas ao “sentimento de desamparo”. Este sentimento apresenta-se quando a criança se sente desprotegida e precisa enfrentar ou tolerar uma situação para a qual não se encontra apta, como, por exemplo, submeter-se às provas do colégio, falar com pessoas adultas desconhecidas, iniciar um novo ano escolar ou mudar de escola, entre outros. A criança pode apresentar quadros de angústia e sintomas como vómitos, dores de cabeça, diarréia, falta de ar, tristeza excessiva e inibição da manifestação das emoções.

Outra fonte de ansiedade está relacionada com a repressão dos sentimentos de hostilidade e agressividade para com os pais, professores, entre outros, levando a criança a experimentar uma sensação de angústia por não saber lidar com a própria raiva.

Por outro lado, um grau mínimo de ansiedade pode servir a propósitos construtivos, actuando como estimulador da criatividade e de soluções de problemas. Dessa maneira, a ausência de ansiedade pode, por exemplo, deixar a criança apática e desinteressada pelos estudos. Já um grau elevado pode conduzir o aluno à dificuldade de concentração, à ocorrência de distracções e a erros nas tarefas.

c)– Castigos Divinos: Na procura de comportamentos adequados e maneiras de impor limites aos filhos, os pais apelam para Deus na tentativa de amedrontá-los, a fim de conseguir controlar suas acções. No entanto, a resposta verificada nos dias actuais é o crescente medo das crianças de serem punidas por Deus, tornando tal iniciativa uma significativa fonte de stress.

d)- Formação das crenças irracionais: de acordo com Alcino (1999) as crenças são “todo princípio orientador, convicção ou fé que dão significado e direcção à nossa vida”(p.36). O autor aponta ainda que as crenças irracionais são uma maneira distorcida e disfuncional de julgar as situações e estão ligadas a uma tendência particular de julgar negativamente a si mesmo, o mundo e as pessoas. Essas crenças são limitadoras do desenvolvimento humano e geram, normalmente, frustrações, ansiedade e stress. Tais crenças constroem-se a partir do meio familiar, escolar, religioso, bem como da cultura em que a criança está inserida, e podem ser explicadas por se basearem no desejo de agradar a todos, principalmente aos pais; no medo de insucesso em suas actividades; nas crenças religiosas que envolvam punição divina; na autodúvida quanto à inteligência, entre outros.

Na Escala de Stress Infantil – instrumento de Avaliação dos Níveis de Stress – as frases que se associam às fontes internas são: “fico preocupado com coisas ruins que podem acontecer”, “eu me sinto triste”, “penso que sou feio, ruim, que não consigo aprender as coisas”, “sinto que tenho pouca energia para fazer as coisas”, entre outras.

É aconselhável a observação dos pais e dos professores no desenvolvimento das crianças e nos sintomas que possam vir a aparecer. Perceber como elas interpretam e reagem às situações que lhes acontecem é fundamental para conseguirmos ajudá-las. Criar um ambiente favorável ao diálogo e à expressão das emoções. As histórias e os contos são óptimoss recurso para conhecer a maneira de pensar infantil. Os pais superprotetores devem controlar seus impulsos de “fazer tudo pela criança” para que ela consiga maior autonomia e confiança em si mesma. A práctica do desporto, da dança, as expressões plásticas e a risoterapia são muito úteis para as crianças tímidas pois facilitam o contacto social e a expressão dos sentimentos. Os pais podem orientar as crianças ansiosas para actividades lúdicas e para a práctica do relaxamento a fim de minimizar este estado.

O acompanhamento psicólogico e multiprofissional é fundamental para que a criança reconquiste o equilíbrio. O psicólogo, através dos instrumentos de avaliação e da análise de cada caso, realiza uma proposta de acompanhamento adequada a cada criança. A psicoterapia, baseada em actividades lúdicas e nas várias linguagens da arte, propõe à criança e ao seus familiares um maior conhecimento de si e das relações que estabelecem. Nesse sentido, reestruturam pensamentos, identificam emoções e adquirem ou desenvolvem estratégias mais saudáveis para lidarem com as situações da vida.

Referências:

ALCINO, A. B. (1999) Criando Stress com o Pensamento. In.: LIPP, M. (org.) O Stress está dentro de você. São Paulo: Contexto.

BIAGGIO, A.M. (1988) Psicologia do Desenvolvimento. Petrópolis.

LIPP, M.E.N e LUCARELLI, M. D.M. (1998) Escala de Stress Infantil. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Semana da Criança: Stress infantil

Os adultos passam a vida a dizer o quanto estão stressados. Que precisam mudar de estilo de vida e amenizar o ritmo das actividades quotidianas. Já paramos para pensar que as crianças podem também sofrer de stress? Antes de enrugar a testa e achar que o stress só acontece com adultos leia com atenção este artigo.


O stress tem-se tornado, nas últimas décadas, um dos temas mais populares de pesquisa na área da saúde mental. Entretanto, crenças que postulam a inexistência de stress em crianças, entre outros mitos, permanecem, ainda hoje, cristalizadas no senso comum. O stress pode apresentar-se na infância independentemente da classe e meio sócio-cultural ao qual a criança pertença.

O stress infantil, que não difere do adulto, pode ser definido como uma reacção do organismo através de alterações físicas e emocionais que ocorrem na vida da criança quando esta se depara com situações que a amedrontam, excitam, confundem, ou, que até, a fazem extremamente feliz. Qualquer situação que desperte uma emoção forte, boa ou má, que exija mudanças no modo de agir, pode ser considerada como um elemento stressante ou fonte geradora de stress. A reacção do organismo a situações que despertam algum tipo de tensão é uma consequência inevitável do processo de vida/crescimento e está presente desde o nascimento.

Quando a criança consegue utilizar estratégias de enfrentamento1 para restabelecer a homeostase, o stress é diminuído e o seu equilíbrio interno volta ao normal (stress positivo ou eustress). Por outro lado, se a tentativa de restabelecer o equilíbrio não for bem-sucedida devido a estratégias equivocadas, a criança começa, então, a adoecer (stress negativo ou distress)2. Neste caso, podem surgir problemas graves de saúde, de comportamento e dificuldades de relacionamento causando, consequentemente, distúrbios de atenção e concentração, dificuldades de aprendizagem e baixo rendimento escolar.

Mas, então, surge a questão: o que pode desencadear stress?

Primeiro é necessário esclarecer que tudo depende da avaliação que fazemos das situações que nos acontecem. Não é só o facto em si que gera stress mas, principalmente, a forma como o avaliamos entre positivo ou negativo. Por exemplo, o que para uma pessoa pode ser um evento devastador para outra pode ser considerado uma oportunidade de crescimento e aprendizagem.

As fontes geradoras de stress infantil podem ser divididas em externas e internas. As primeiras dizem respeito aos eventos que ocorrem na vida da criança e que ultrapassam a sua capacidade de adaptação. Já as segundas referem-se às características de personalidade, pensamentos e atitudes da criança frente aos momentos experienciados. Neste último caso, o stress pode ser criado pela própria maneira de perceber a si mesmo e ao mundo em redor.

Fontes Externas
-Mudanças Constantes – casa, escola, país;
-Actividades em excesso;
-Brigas e/ou separação dos pais;
-A Escola:
ambiente físico desadequado, a conduta do professor, as formas de avaliação, a mudança de ciclos, a repetência;
-Morte na família;
-Exigência e/ou rejeição de colegas;
-Disciplina confusa – quando não há uma definição clara dos comportamentos que são ou não aceitáveis;
-Hospitalização e doenças;
-Nascimento de irmão;

Fontes Internas
-Timidez – a criança tímida tende a isolar-se, fugir ou evitar certas situações cotidianas, “complexo de inferioridade”;-Ansiedade – agitação, irritabilidade excessiva, intranqüilidade e medo de que algo ruim aconteça ameaçando-lhe a própria segurança;
-Castigos Divinos – medo das crianças de serem punidas por Deus;
-Formação das crenças irracionais – crenças irracionais são uma maneira distorcida e disfuncional de julgar as situações e estão ligadas a uma tendência particular de julgar negativamente a si mesmo, o mundo e as pessoas. Tais crenças constroem-se a partir do meio familiar, escolar, religioso, bem como da cultura em que a criança está inserida.


No quadro a seguir serão apresentados os sintomas mais frequentes relacionados ao stress infantil excessivo:



Pesquisadores de referência sobre o assunto apontam que a negação de pais e profissionais acerca da existência do stress infantil origina, cada vez mais, o agravamento dos problemas e sintomas de muitas crianças, na medida em que elas são privadas de tratamento.

Um estudo realizado pela psicóloga Eveline Cunha (2000) com 100 crianças do 2º ano de escolas públicas e privadas, de Juiz de Fora, Brasil, com idades entre 7 e 9 anos evidenciou através da Escala de Stress Infantil – ESI (Lipp e Lucarelli, 1998), que 25 crianças apresentavam médio e alto nível de stress. Baixo índice para as estatísticas no geral mas muito significativo para as 25 crianças e suas famílias que vivenciavam o problema sem o devido diagnóstico e orientação.

O psicólogo tem um importante papel neste contexto para auxiliar as crianças, os pais e os professores a identificar e a lidar com os agentes stressores de maneira a reduzir seus efeitos negativos, assim como, para propor estratégias preventivas.
Nas próximas semanas falaremos mais detalhadamente sobre algumas causas de stress infantil e as estratégias de como lidar com o stress.

Fonte:

■CARVALHO, E. (2000) Stress Infantil e Escolaridade: um estudo em escolas públicas e particulares de Juiz de fora” (bolsista do VII Programa de Bolsas de Conclusão de Curso de Graduação – BCCG/ UFJF) Universidade Federal de Juiz de Fora.
■FRANÇA, A C. & RODRIGUES, A .L. (1999) Stress e Trabalho: uma abordagem Psicossomática. São Paulo: Atlas.
■LIPP, M. (org). (1999) O Stress está dentro de você. São Paulo: Contexto.
■LIPP, M.E.N & LUCARELLI, M. D.M. (1998) Escala de Stress Infantil. São Paulo: Casa do Psicólogo.
■TANGANELLI, M.S.L. & LIPP, M.E.N. (1998) Sintomas de stress na rede pública de ensino. Estudos de Psicologia. São Paulo, vol.15, nº 3, p:17-27.

1 Enfrentamento: conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessiva ou acima de suas possibilidades (França e Rodrigues 1999).

2 Tanganelli e Lipp,1998

sábado, 5 de junho de 2010

Semana da Criança: Vem ai o Dia da Criança



Porque as Crianças povoam o Mundo, a equipa Saber & Sorrir dedica esta semana a elas. Aproveite o Dia da Criança e o feriado para estar com elas e divertir-se também.

Muitos pais preocupam-se em comprar grandes prendas ou fazer grandes passeios. Mas, na realidade, a criança gosta de companhia para brincar e os pais não têm tempo para isso, devido aos compromissos profissionais.

Fica então uma sugestão: reserve o Dia da Criança para brincar e jogar com seu filho e para redescobrir a criança que há em si!

Temos a certeza de que todos vão divertir-se e vivenciar um dia especial! Mas lembre-se, não é para reproduzir o que a criança faz diariamente, ou seja, televisão, vídeojogos, etc. Pelo contrário, saia de casa, vá para o jardim, o parque, use a imaginação e relembre os jogos da sua infância. Adapte-os à realidade do seu filho.

A Terapia do Riso e o Yoga do Riso também são excelentes recursos para brincar, gargalhar e estar próximo de quem se ama. Preparados?

O Jogo tem o maravilhoso poder de aguçar a criatividade, trabalhar emoções, o racicínio, a resolução de conflitos e problemas, a comunicação e as relações entre as pessoas de forma positiva. Através da brincadeira, a criança tem a oportunidade de compreender o mundo que a rodeia, experimentar papéis sociais (o “faz de conta”), aprender regras e limites, conhecer as consequências positivas ou negativas das suas acções (ganhar, perder), além de criar ou estreitar os laços de amor, carinho e amizade.

Não se preocupe se o tempo que tem para brincar com os miúdos é pouco. O importante é a qualidade e não a quantidade.

Para facilitar a sua iniciativa deixamos a seguir algumas sugestões de brincadeiras e jogos e alguns links interessantes a este respeito. Veja:

Dentro e Fora – O organizador da brincadeira informa as crianças que em cima do tapete é a região conhecida como Dentro e fora do tapete é a região conhecida como Fora. O organizador começa a falar em voz alta, as regiões para onde as crianças devem saltar e assim, se o organizador falar a palavra “dentro”, as crianças devem pular para cima do tapete (= “Dentro”) e quando for dita a palavra “fora”, as crianças devem pular para fora do tapete (= “Fora”). O organizador continua a falar as palavras mágicas (“Dentro ou Fora”) num intervalo cada vez mais curto (3 a 5 segundos) de forma absolutamente aleatória: Dentro, Fora, Dentro, Dentro, Fora, Dentro, Dentro, Fora, Fora, etc. Pode-se variar usando cadeiras e a palavra de ordem ser “senta” e “levanta”.
Estátua – Todos reunidos. Coloca-se uma música bem animada. Ao parar a música todos ficam sem se mexer. Uma pessoa da família vai passar pelas “estátuas” para ver se elas se mexem ou riem. O objectivo é mesmo o contrário, ou seja, manter-se imóvel, mas ninguém aguenta!!! Hahaha.
Mímica – Um participante escolhe uma palavra e tenta fazer uma mímica para os outros adivinharem. Quem adivinhar primeiro ganha ponto.
Apanha um, apanha todos – Número de participantes: é preciso um grupo grande. O que os jogadores necessitam: um espaço grande onde possam correr em segurança. Não há tempo marcado para este jogo, porque quanto mais jogadores tiver, mais tempo demorará. O jogo começa com uma criança a servir de apanhador. Irá correr em redor e tentar tocar nos outros jogadores. Quando conseguir apanhar alguém, esse jogador irá juntar-se a ele para apanhar os restantes. O último a ser apanhado é o vencedor.
O rei manda - é escolhida a criança que será a orientadora do jogo, ou a ‘mamã’. Esta irá colocar as restantes crianças alguns passos atrás de onde se encontra. Cada uma delas irá pedir permissão para dar uns passos. Cabe ao Rei (Mãe, Pai ou Criança) decidir quantos e quais, como por exemplo “cinco passinhos de bebé”, “passos de caranguejo” (andar para trás), enfim, o que puderem imaginar. Depois de dar a ordem irá virar-se contra a parede ou de costas para os restantes. Ganha quem conseguir alcançar primeiro o local em que o Rei está e passa a substituí-lo. Pode alterar-se a expressão “ O Rei Manda” para “A Mamã ou o Papá Manda”, dando oportunidade da criança representar diferentes papeis que dizem respeito ao ambiente doméstico.


Para mais ideias:

http://www.abcdobebe.com/festividades/a-mama-manda.html
http://www.portaldafamilia.org.br/sclazer/jogos/jogossalao.shtml#j001
http://educacaofisicafoz.no.comunidades.net/index.php?pagina=1403140304


Divirtam-se à vontade e depois nos contem como correu!!!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

“Coaching para excelência dos professores” – EXPONOR

A EXPONOR (Feira Internacional do Porto) apresenta a Qualifica – Feira de Educação, Formação, Juventude e Emprego, do dia 15 a 18 de Abril de 2010. Esta feira reúne no mesmo espaço diversos representantes de entidades responsáveis pela educação, formação e emprego.

Enquadrado na Qualifica, realizou-se a 15 de Abril de 2010, entre as 15 e as 17 horas, um Seminário intitulado “Coaching para a excelência dos professores” com a presença do Prof. Doutor Jacinto Jardim, Eng. Viana Abreu e a Dr.ª Maria da Saúde Inácio.

A adesão a este seminário representa uma vontade de melhorar o ensino em Portugal e percebeu-se a importância que uma pequena semente da nossa vontade pode despertar na sociedade à nossa volta.

Abordaram-se temas cuja a linha transversal focava a Psicologia Positiva e, consequentemente, as emoções positivas, bem como a importância do bem-estar interior de cada indivíduo no processo de comunicação, para que a mensagem consiga ser objectivamente compreendida pelo receptor e bem orientada pelo emissor, sendo este o principio básico da essência da comunicação. O Prof. Doutor Jacinto Jardim alertou ainda para a promoção de um clima humano positivo, através do combate de 10 sinais de acção (que nos levam a ter atitudes e comportamentos negativos, dificultando o processo de comunicação) e fomentando 10 emoções positivas.

Assim, aos 10 sinais de acção: Solidão, Desconforto, Medo, Mágoa, Raiva, Frustração, Desapontamento, Culpa e Inadequação, Cansaço; actuaríamos com 10 emoções positivas: Amor, Gratidão, Curiosidade, Entusiasmo, Determinação, Flexibilidade, Confiança, Alegria, Vitalidade e Contribuição.

O Eng. Viana Abreu, muito bem contextualizado na área do coaching na sua globalidade, começou pela exploração da definição de Coaching como “a arte de inspirar os outros a realizar o seu potencial”, através do silêncio interior indispensável para estar atento ao outro, aos sinais de abertura mínimos para que possa haver actuação no processo de transformação.

O ser humano sempre resistiu naturalmente à mudança, mas, face a um tempo de mudanças tão aceleradas, cria-se a necessidade urgente de mudar mentalidades transformando o medo do desconhecido numa oportunidade de evolução e desenvolvimento. O centro seguro para esta nova forma de encarar a vida é o nosso reforço interior apostando no auto-conhecimento, enquanto ser bio-psico-socio-cultural. Longe vão os tempos em que a selecção de um candidato a determinado cargo se restringia à formação académica e experiência profissional, e ainda bem. Agora valoriza-se também a inteligência emocional e atitude positiva do indivíduo face ao mundo, atitude esta que vem de todo um processo de auto-conhecimento: auto observação, auto descoberta, auto consciencialização e a sentida e real vontade de transformação que o individuo decidiu que quer obter para atingir os seus objectivos. É preciso coragem para querer conhecer-se melhor, perguntar-se onde está, onde quer ir, o que quer fazer, como, porquê, como se sentiria ao ter o que quer e o que se está realmente disposto a fazer e quando, mas o resultado final no sentido da sua vivência vale o desafio.


Como as palavras transmitem energia, poder, ousou-se substituir Mudança por Oportunidade; Problema por Desafio; Fracasso por Resultado e o “Vou tentar…” (ser, fazer, ter) pelo “Vou” (ser, fazer, ter).

Desta forma, passa-se a focar apenas o objectivo, a meta que se quer atingir, abstraindo-se de ideias paralelas que atrapalham a concretização, seguindo as estratégias e planos definidos por cada um, doseando as energias na acção para o culminar de um caminho traçado por sua iniciativa, em consciência e com a perfeita noção das suas capacidades e talentos para a vitória.

A Equipa Saber & Sorrir orgulha-se de ter estado presente neste seminário e agradece a oportunidade, pela troca positiva de experiências e conhecimentos importantes no desenvolvimento pessoal e profissional de todos os intervenientes.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Afinal, para que serve a resiliência!




Estávamos a espera de um amigo, quando este nos liga e diz: “Um rapaz que mora no meu prédio jogou-se da janela de seu apartamento e caiu em frente da garagem. Estava quase a sair e agora estou diante desta cena horrível e não posso sair de casa. Só fiquei a imaginar a dor de seus pais. E eu, com um bebe em casa, fiquei a pensar no futuro de meu filho”.

Casos como este acontecem com muita frequência em Portugal. Estudos realizados pela Sociedade Portuguesa de Suicidologia indicam que a segunda maior causa de morte entre os adolescentes é o suicídio, sendo a primeira causa os acidentes de viação. “A idade com que as pessoas se suicidam tem vindo progressivamente a decrescer”, existindo “em idades mais precoces, como na infância”, sublinhou Maria Manuela Correia da direção do Núcleo de Estudos do Suicídio (NES) do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa (fonte: sapo on line, 13 de Março de 2010, 10:35)

Estas estatísticas fazem com que nós: pais, educadores, psicólogos e a comunidade em geral, paremos para reflectir.

O que está a acontecer com nossas crianças e jovens? O que está a ocorrer no seio das famílias? O que está a passar na comunidade e sociedade em que estes jovens estão inseridos?

Existem uma série de reflexões a fazer que não se esgotarão neste artigo. Mas vejamos alguns aspectos.

As causas que levam ao suicídio podem ser múltiplas. No caso do rapaz, que se suicidou atirando-se da janela do prédio do nosso amigo, a causa apontada foi o fracasso escolar e a não possibilidade de conquistar a tão sonhada vaga na universidade; para outros jovens é a pressão na escola – como o Bullying, ou seja, os actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objectivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender, história tão falada ultimamente nos telejornais; já para outros adolescentes as perdas amorosas e a briga com os namorados/as são momentos insuportáveis e já para outros é a desestruturação familiar, a quebra de vínculos, a falta de amor que impulsiona a acção de tirar a própria vida.

Mas, em todos os casos, é preciso avaliar: o que falta no conjunto dos elementos sociais (família, escola, sociedade) que não desenvolvem, ensinam, orientam, estratégias capazes de fazerem estes jovens superarem as frustrações naturais da idade e da vida?

Podemos dizer que há falta de uma disciplina importante na “vida escolar” e na “escola da vida”: a resiliência. Preocupamo-nos em dar o melhor aos filhos, as melhores condições de estudo, de casa, de roupas, os melhores telemóveis… cobramos e exigimos implacavelmente todo o esforço realizado em nome deles. Queremos as melhores notas, o melhor comportamento, o melhor feitio mas esquecemo-nos de fornecer-lhes os alicerces básicos para esta construção: amor, carinho e uma boa dose de exemplo. Sim, exemplo de paciência, de resiliência diante das dificuldades da vida.

Muitos jovens preferem a morte por não encontrarem mecanismos que façam superar os problemas do dia-a-dia. Foram orientadas a acreditarem que precisam ser perfeitos, ou que a vida sem alguém não faz sentido ou que não é possível reagir diante de uma ameaça, de uma violência.

Por isso, propomos aulas teóricas e práticas de resiliência!
A resiliência é a “Capacidade profunda para a superação de crise em situações adversas, estando presente em indivíduos, comunidades e instituições” (Nunes, 2007).

O ser resiliente possui um olhar positivo sobre a adversidade e desenvolve características como:

■Iniciativa (acção) – não espera que os problemas se resolvam do nada. Age procurando mudança e melhoria;
■Perseverança – constância nas acções – não desiste com facilidade;
■Coragem - Firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos. Procura não se deixar abater;
■Encorajamento – incentiva a si mesmo e os outros para ir em frente;
■Esperança – encontrar os meios para atingir os objectivos, crença de que tudo acabará por correr bem;
■Fé - Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro;
■Optimismo - Acreditar que os infortúnios são passageiros e que tudo resultará da melhor maneira possível;
■Sentido de vida ou objectivo de vida – O que quero para a minha vida? Aonde pretendo chegar? O que me faz feliz? Confrontar o que é possível e aceitar o que não pode ser mudado;
■Estabelece relações de apoio e colaboração com outras pessoas.

De acordo com estudos realizados por Seligmam (2005) para se conseguir o bem-estar e a felicidade é necessário perceber como as pessoas interpretam os momentos de crise e como passam por eles. Pessoas não resilientes adoecem e deprimem-se com mais frequência, têm maior probabilidade de cometer suicídios e não encontram o bem-estar desejado por não encontrarem estratégias eficientes para superarem os problemas naturais da vida, deixando-se levar pelo pessimismo, ou seja:

■Pela tendência em acreditar que as vicissitudes são irremovíveis, que minam todas as nossas actividades e
■Pelos sentimentos de impotência e incapacidade que geram desespero;

Por isso está mais do que na hora de investirmos no desenvolvimento de nossas capacidades de superação e de optimismo diante da vida. Valorizá-la e usufruir do melhor que ela nos tem a oferecer. O Saber & Sorrir lança o desafio. Vamos construir um mundo mais resiliente

Fonte:


Seligman, M. (2005) APRENDA A SER OPTIMISTA. Tradu�o de Alberto Lopes.






sapo on line, 13 de Mar�o de 2010